Se o WhatsApp saiu do ar no seu celular com um aviso de que o número foi registrado em outro aparelho, ou se amigos dizem que "você" está pedindo dinheiro, a conta provavelmente foi sequestrada. Este guia mostra, na ordem, o que fazer nos primeiros minutos e nas horas seguintes. A boa notícia: na maioria dos casos dá para recuperar a conta sozinho, pelo próprio aplicativo.

Antes de começar, confirme qual é o seu problema. São dois golpes diferentes, com soluções diferentes:

  • Conta clonada ou invadida: o golpista entrou na sua conta, com o seu número. Seu WhatsApp parou de funcionar ou mostra aparelhos que você não conhece.
  • Perfil falso: o golpista criou outra conta, com outro número, usando sua foto e seu nome. Seu WhatsApp continua funcionando normalmente.

Se for o segundo caso, vá direto para a seção "Se for um perfil falso com a sua foto".

Como o golpista consegue entrar na sua conta

O WhatsApp confirma o dono de um número enviando um código de seis dígitos por SMS ou ligação. Quem tiver esse código consegue registrar a conta em outro celular. Por isso a maioria dos golpes gira em torno de convencer você a repassá-lo: falso cadastro de promoção, falsa pesquisa, falso funcionário de loja ou alguém se passando por amigo que "mandou um código por engano". Os golpes de phishing que circulam no Brasil usam a mesma engrenagem de urgência.

Outro caminho é o pareamento com o WhatsApp Web ou outro aparelho conectado, quando alguém tem acesso ao seu celular por alguns minutos ou faz você escanear um QR Code. Nesse caso a conta continua funcionando no seu celular, mas há uma sessão extra lendo e enviando mensagens.

Passo 1: reative o número no seu celular

Abra o WhatsApp no celular com o seu chip e siga a tela de verificação. Se o app já foi desconectado, ele vai pedir para confirmar o número. Se não pedir, desinstale e instale de novo pela loja oficial (Google Play ou App Store) e cadastre o mesmo número.

Digite o código de seis dígitos que chegar por SMS ou ligação. Segundo a ESET, como o WhatsApp só permite um número registrado por vez, ao confirmar o código no seu aparelho a pessoa que estava usando a conta é desconectada. A página de segurança do WhatsApp dá a mesma orientação: se perdeu o acesso, registre o número de novo.

Se o SMS não chegar: confira se o chip está funcionando, fazendo uma ligação comum. Se o celular estiver sem sinal da operadora de forma inesperada, ligue para ela de outro telefone, porque alguém pode ter transferido sua linha para outro chip.

Passo 2: se pedirem um PIN que você não criou

É comum o golpista ativar a verificação em duas etapas assim que entra, para dificultar sua volta. Você digita o código do SMS e o app pede um PIN de seis dígitos que você nunca definiu.

Nessa tela, toque em Esqueceu o PIN?. Se você tiver um e-mail cadastrado na verificação em duas etapas, pode receber o link de redefinição. Se não tiver, começa um período de espera: segundo o Xataka (junho de 2026), são sete dias, depois dos quais é possível pedir um novo código por SMS e entrar sem o PIN. Durante a espera, o golpista pode continuar conectado, por isso os passos 3 e 4 não podem esperar.

Você também pode pedir ajuda ao suporte do WhatsApp pelo próprio aplicativo (menu de três pontos ou Configurações, opção Ajuda) ou pelo e-mail support@whatsapp.com. O Xataka sugere o assunto "Telefone roubado/perdido: por favor, desative minha conta", com o número no formato internacional (+55, DDD e número).

Passo 3: avise seus contatos por outro canal

Enquanto a conta estiver com o golpista, ele vai usá-la para pedir Pix, vender produtos falsos ou mandar links para seus contatos e grupos. O CERT.br recomenda alertar seus contatos sempre que uma conta sua for invadida e orientá-los a desconfiar de pedidos de Pix ou pagamento de boletos.

Use outro caminho para avisar: Instagram, SMS, e-mail, ligação ou o WhatsApp de um familiar. Uma mensagem curta resolve: "Meu WhatsApp foi invadido. Não façam transferências nem cliquem em links enviados do meu número até eu avisar que recuperei." Peça que confirmem qualquer pedido estranho ligando para o número que já conhecem.

Passo 4: guarde provas e registre ocorrência

Antes de apagar qualquer coisa, salve o que tiver. O CERT.br lista o que vale guardar: prints das conversas, números e nomes de perfis usados, links, comprovantes de transferências e os protocolos de cada atendimento. Essas evidências servem para pedir estorno, registrar boletim de ocorrência e acionar órgãos de defesa do consumidor.

O boletim de ocorrência, na maioria dos estados, pode ser feito pela delegacia online. Ele é especialmente importante se algum contato perdeu dinheiro. Quem pagou um Pix ao golpista deve contestar a transferência no aplicativo do banco o quanto antes, porque isso aciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED); veja como pedir a devolução do Pix pelo MED.

Passo 5: depois de recuperar, feche as portas

Recuperou o acesso? Agora é hora de impedir que aconteça de novo:

  1. Confira os dispositivos conectados. Em Configurações, abra Dispositivos conectados e desconecte qualquer computador ou aparelho que você não reconheça.
  2. Ative a verificação em duas etapas. Em Configurações, Conta e depois Verificação em duas etapas, crie um PIN que só você saiba e cadastre um e-mail de recuperação. Isso impede que um código de SMS sozinho dê acesso à conta. O guia de autenticação de dois fatores explica por que essa camada faz tanta diferença.
  3. Revise o perfil. O golpista pode ter mudado foto, nome, recado ou participado de grupos em seu nome. Volte tudo ao normal e saia dos grupos estranhos.
  4. Proteja o chip. Se a linha foi transferida sem sua autorização, peça à operadora o bloqueio e a troca do chip, e registre o protocolo.

Se você também usou a mesma senha em outros serviços ou caiu num link falso durante o golpe, troque as senhas e encerre sessões ativas em outros dispositivos, como recomenda o CERT.br. Um gerenciador de senhas facilita ter uma senha diferente para cada conta.

Se for um perfil falso com a sua foto

Nesse golpe ninguém entrou na sua conta. O criminoso criou um WhatsApp com outro número, colocou sua foto e escreve aos seus contatos dizendo que "trocou de número". Reativar o seu WhatsApp não resolve, porque o seu continua funcionando.

O que fazer: avise os contatos (passo 3), guarde prints do número falso (passo 4), peça que todos o denunciem e bloqueiem pelo próprio WhatsApp, abrindo a conversa e tocando no nome do contato, e registre boletim de ocorrência. Para dificultar a cópia, ajuste quem pode ver sua foto de perfil em Configurações, Privacidade.

Perguntas que mais aparecem

Como desfazer o WhatsApp clonado?

Não existe um botão de "desfazer". O caminho é o passo 1: registrar o número de novo no seu celular. Assim que você confirma o código, a sessão do golpista cai. Se ele tiver criado um PIN, siga o passo 2.

O golpista consegue ler minhas conversas antigas?

Segundo a página de segurança do WhatsApp, as conversas anteriores ficam armazenadas no seu aparelho e não podem ser lidas por quem tenta acessar sua conta. O golpista vê e envia mensagens novas enquanto estiver conectado, e pode ver grupos e a lista de contatos. Quem teve o WhatsApp Web pareado é diferente: a sessão extra espelha as conversas, por isso é preciso desconectá-la (passo 5).

Como saber se meu WhatsApp está aberto em outro lugar?

Abra Dispositivos conectados nas configurações. A lista mostra cada computador ou aparelho conectado, com a última atividade. Se algo não for seu, toque nele e desconecte.

Recebi um código do WhatsApp que não pedi. E agora?

Alguém tentou registrar seu número. Não repasse o código a ninguém, nem a quem diz que o mandou por engano. Se a verificação em duas etapas estiver ativa, a tentativa não vai adiante sem o seu PIN.

Fontes