AWS, Azure e Google Cloud: como comparar os três maiores provedores de nuvem

Como comparar AWS, Azure e Google Cloud sem ranking: tabela de serviços equivalentes, critérios de escolha, como estimar custos com as calculadoras oficiais e um roteiro de prova de conceito.

Por Equipe Global World Connect

7 min de leitura

Ilustração de três nuvens de cores diferentes, cada uma ligada aos mesmos tipos de serviço, representando a comparação entre provedores de nuvem
Ilustração original do Global World Connect

Escolher um provedor de nuvem parece uma decisão técnica, mas costuma ser uma decisão de negócio: define onde ficam os dados, quanto se paga e o quanto será difícil mudar depois. Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud são os três maiores, e os três atendem à maioria das necessidades.

Este artigo não indica um vencedor. Ele mostra como comparar os provedores por critérios objetivos, traz a equivalência entre os principais serviços e sugere um caminho para decidir com dados. Não há preços aqui, porque eles mudam com frequência e variam por região, serviço e contrato. Use as calculadoras oficiais no momento da decisão.

Se você ainda não conhece os conceitos, comece por o que é computação em nuvem.

O que os três têm em comum

Apesar das diferenças de nomes e de detalhes, os três oferecem, em geral:

  • infraestrutura como serviço (IaaS), plataformas (PaaS) e serviços gerenciados de banco de dados, análise de dados e IA;
  • regiões e zonas de disponibilidade, para distribuir aplicações e aumentar a resiliência;
  • pagamento por uso, com modelos de desconto para compromissos de longo prazo;
  • ferramentas de segurança, identidade, monitoramento e automação;
  • planos de suporte pagos e programas de certificação profissional.

Por isso, a decisão raramente é sobre "quem tem o serviço X", e mais sobre o encaixe com o seu contexto.

Equivalência entre os principais serviços

A tabela abaixo, baseada no guia de comparação publicado pelo Google Cloud, ajuda a traduzir os nomes. Confira sempre a documentação atual, porque produtos são renomeados e criados com frequência.

CategoriaAWSAzureGoogle Cloud
Máquinas virtuaisEC2Virtual MachinesCompute Engine
Armazenamento de objetosS3Blob StorageCloud Storage
Armazenamento em blocoEBSManaged DisksHyperdisk
Banco relacional gerenciadoRDSAzure SQL DatabaseCloud SQL
Banco NoSQLDynamoDBCosmos DBFirestore
Funções sem servidorLambdaAzure FunctionsCloud Run functions
Kubernetes gerenciadoEKSAKSGoogle Kubernetes Engine
Containers sem servidorFargateContainer AppsCloud Run
Gestão de identidade e acessoIAMGerenciamento de identidade da AzureCloud IAM
CDNCloudFrontFront DoorCloud CDN
Balanceamento de cargaALB/ELBLoad BalancerCloud Load Balancing
Rede virtualVPCVNetVPC
MonitoramentoCloudWatchMonitorCloud Monitoring
Data warehouseRedshiftSynapse AnalyticsBigQuery

Equivalência não é igualdade. Serviços parecidos podem ter limites, recursos e modelos de preço bem diferentes. Use a tabela como um mapa, e não como garantia de que um pode substituir o outro sem ajustes.

Para entender orquestração de containers, veja Kubernetes e Docker e containers.

Critérios para escolher

1. Ecossistema que você já usa

A integração com ferramentas existentes pesa muito.

  • Empresas que já usam produtos Microsoft, como identidade corporativa e licenças, costumam avaliar a Azure pela integração.
  • Empresas que usam intensamente ferramentas de dados e de colaboração do Google podem enxergar vantagem no Google Cloud.
  • A AWS tem um catálogo muito amplo de serviços e uma base grande de profissionais e de conteúdo.

São tendências de encaixe, não regras. O que decide é o que você realmente vai usar.

2. Regiões e latência

A distância entre a região e os usuários afeta a latência e, em alguns casos, as exigências legais sobre onde os dados ficam. Confira nas páginas oficiais de infraestrutura global de cada provedor quais regiões existem, inclusive no Brasil, e quantas zonas de disponibilidade cada uma oferece. Veja também a política de residência de dados, ligada a temas como a LGPD.

3. Serviços específicos que você precisa

Para IA, análise de dados, bancos especializados ou serviços de comunicação, compare as ofertas concretas, e não a marca. Verifique disponibilidade na sua região, maturidade do serviço e limites.

4. Custos e modelo de preços

Os três cobram por uso, e os detalhes fazem diferença:

  • Sob demanda: paga-se pelo que se usa, sem compromisso.
  • Compromissos de uso: descontos em troca de se comprometer por um período.
  • Capacidade excedente (spot): preços menores para cargas que toleram interrupção.
  • Transferência de dados: o tráfego que sai da nuvem costuma ter custo e pode surpreender.
  • Camadas gratuitas e créditos: existem em vários serviços, com condições que mudam.

Use as calculadoras oficiais, com o seu cenário real, para estimar. Veja formas de controlar o gasto em como reduzir custos na nuvem.

5. Segurança e conformidade

Os provedores publicam certificações e relatórios de conformidade. Confira se atendem às exigências do seu setor e de leis como a LGPD. Lembre-se do modelo de responsabilidade compartilhada: o provedor protege a infraestrutura, e você protege as configurações, acessos e dados.

6. Suporte e comunidade

Compare os planos de suporte, os idiomas, os prazos de resposta e a disponibilidade de parceiros e profissionais no seu mercado. Uma equipe que já conhece um provedor produz mais rápido.

7. Risco de dependência (lock-in)

Quanto mais você usa serviços proprietários, mais difícil fica trocar. Estratégias para reduzir esse risco:

  • usar containers e Kubernetes, que rodam em vários ambientes;
  • descrever a infraestrutura como código, com ferramentas que funcionam em mais de um provedor;
  • evitar depender de serviços exclusivos para funções centrais, quando houver alternativa razoável;
  • manter os dados exportáveis em formatos abertos.

Nem sempre evitar dependência compensa. Serviços gerenciados economizam trabalho, e a decisão é uma troca consciente.

Como fazer uma prova de conceito

Em vez de decidir por opinião, teste com o seu caso:

  1. Defina um cenário representativo, por exemplo, uma aplicação web com banco de dados e armazenamento de arquivos.
  2. Liste os requisitos: desempenho, disponibilidade, segurança, região, orçamento.
  3. Estime os custos com as calculadoras oficiais de cada provedor.
  4. Monte o cenário nas contas de teste e meça: tempo de implantação, desempenho, facilidade de operação.
  5. Avalie a equipe: o que ela já sabe e o que precisaria aprender.
  6. Compare os resultados em uma tabela, com pesos para cada critério.
  7. Decida e documente os motivos, e revise quando o cenário mudar.

Boas práticas iniciais em qualquer provedor

Independentemente da escolha, alguns cuidados valem desde o primeiro dia:

  • Proteja a conta principal com autenticação multifator e evite usá-la no dia a dia. Veja autenticação em dois fatores.
  • Aplique o menor privilégio em usuários e serviços.
  • Configure alertas de orçamento para evitar surpresas.
  • Use tags para identificar recursos por projeto e responsável.
  • Automatize a infraestrutura por código, para repetir e auditar.
  • Faça backups e teste a recuperação.

E os outros provedores?

Além dos três maiores, existem provedores com foco em simplicidade e preço, provedores regionais e nuvens de empresas de tecnologia com nichos próprios. Para projetos pequenos, vale comparar também com VPS e hospedagem. O mais importante é adequar a escolha à necessidade.

Perguntas frequentes

Qual é o mais barato?

Não existe resposta geral. O custo depende do serviço, da região, do volume, dos descontos e da forma de uso. Simule o seu cenário nas calculadoras oficiais.

Qual é o melhor para iniciantes?

Depende de onde você vai aprender. Os três oferecem documentação e trilhas de estudo, e muitas vezes ambientes gratuitos com limites. Comece pelo que a sua empresa ou o seu mercado usa.

Posso usar mais de um provedor?

Sim. Chama-se multinuvem. Pode reduzir dependência e aproveitar serviços específicos, mas aumenta a complexidade de operação, de segurança e de custos.

Existe região no Brasil?

Os três oferecem regiões no Brasil, segundo as suas páginas de infraestrutura global. Confirme a região, os serviços disponíveis nela e o número de zonas na documentação atual de cada provedor.

Trocar de provedor depois é difícil?

Depende de quanto você usou serviços proprietários e do volume de dados. Planejar a portabilidade desde o início facilita.

Conclusão

AWS, Azure e Google Cloud oferecem serviços equivalentes em muitas categorias, e a escolha depende do ecossistema que você já usa, das regiões, dos serviços específicos, dos custos, da conformidade, do suporte e do risco de dependência.

Em vez de procurar o melhor provedor, procure o melhor encaixe, testando com um cenário real e estimando custos nas calculadoras oficiais. Este artigo foi revisado em setembro de 2026, e serviços, regiões e preços mudam, por isso confirme tudo na documentação de cada provedor.

Fontes

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