AWS, Microsoft Azure e Google Cloud oferecem quase os mesmos blocos básicos (máquinas virtuais, armazenamento, bancos gerenciados, Kubernetes, funções sem servidor) e os três têm região em São Paulo. A escolha costuma ser decidida por fatores menos óbvios: o ecossistema que a empresa já usa, quanto custa rodar no Brasil, as condições para testar e o esforço para sair depois.

As tabelas abaixo reúnem dados das páginas e documentações oficiais, consultadas em outubro de 2026. Preços estão em dólar, porque é assim que as tabelas públicas dos três provedores são publicadas.

Os mesmos serviços com nomes diferentes

A tradução de nomes é o primeiro obstáculo. A tabela segue o guia de comparação de serviços publicado pelo Google Cloud:

CategoriaAWSAzureGoogle Cloud
Máquinas virtuaisEC2Virtual MachinesCompute Engine
Armazenamento de objetosS3Blob StorageCloud Storage
Disco de VM (bloco)EBSAzure Disk StorageHyperdisk
Banco relacional gerenciadoRDSAzure SQL DatabaseCloud SQL
Banco NoSQLDynamoDBCosmos DBFirestore
Funções sem servidorLambdaAzure FunctionsCloud Run functions
Kubernetes gerenciadoEKSAKSGKE
Containers sem servidorFargateContainer AppsCloud Run
Identidade e permissõesIAMGerenciamento de identidade do Azure (Microsoft Entra ID)Cloud IAM
CDNCloudFrontFront DoorCloud CDN
MonitoramentoCloudWatchAzure MonitorCloud Monitoring
Data warehouseRedshiftSynapse AnalyticsBigQuery

Equivalência não é igualdade. Limites, recursos e forma de cobrança mudam de um para outro, então a tabela serve de mapa, não de garantia de troca sem ajustes. Para entender as camadas (IaaS, PaaS, serverless), veja o que é computação em nuvem.

Regiões no Brasil

AWSAzureGoogle Cloud
Região principal no Brasilsa-east-1, São PauloBrazil South (brazilsouth), estado de São Paulosouthamerica-east1, Osasco (SP)
Zonas de disponibilidade333
Segunda região no BrasilNãoBrazil Southeast (Rio), com acesso restritoNão
Outra região na América do SulNão (há México Central, fora da América do Sul)Chile Central (Santiago)southamerica-west1 (Santiago)

Fontes: documentação de regiões da AWS, lista de regiões do Azure no Microsoft Learn e página de regiões e zonas do Compute Engine, consultadas em outubro de 2026.

A região Brazil Southeast, do Azure, aparece na documentação como restrita a cenários específicos, como recuperação de desastres, e exige pedido de acesso. Para quem precisa de duas regiões dentro do Brasil, isso pesa. A região par do Brazil South, segundo a mesma lista, é a South Central US, no Texas.

Rodar no Brasil custa mais: um exemplo real

Uma máquina pequena de 2 vCPUs e 4 GiB de memória, com Linux e preço sob demanda, custava em outubro de 2026:

VM equivalenteSão PauloVirgínia (EUA)Diferença
AWS t3.mediumUS$ 0,0672/hUS$ 0,0416/h+62%
Azure B2sUS$ 0,0672/hUS$ 0,0416/h+62%

Fontes: dados públicos de preço sob demanda do Amazon EC2 e API de preços de varejo do Azure (Azure Retail Prices), consultados em 16 de outubro de 2026. Não inclui disco, tráfego nem impostos.

Em 730 horas (um mês), a diferença é de cerca de US$ 18,70 por máquina. Para quem atende usuários brasileiros, a latência menor e a residência dos dados costumam justificar o custo. Para processamento em lote, backup frio ou ambientes de teste sem dados pessoais, uma região nos EUA pode sair bem mais barata. O Google Cloud não foi incluído na tabela porque a página de preços carrega os valores dinamicamente; use a calculadora oficial para comparar o e2-medium entre regiões.

Créditos e camada gratuita para testar

AWSAzureGoogle Cloud
Crédito inicialUS$ 100, com até mais US$ 100 explorando serviçosUS$ 200US$ 300
PrazoPlano gratuito encerra em 6 meses ou quando o crédito acaba30 dias para usar o crédito90 dias
Depois do créditoMais de 30 serviços sempre gratuitos dentro de limitesServiços gratuitos por 12 meses e mais de 65 sempre gratuitosNível gratuito, incluindo uma VM e2-micro por mês
PegadinhaO plano gratuito só dá acesso a serviços selecionadosOs 12 meses gratuitos exigem migrar para pagamento por uso em 30 diasA e2-micro gratuita só vale em Oregon, Iowa e Carolina do Sul

Fontes: páginas oficiais de nível gratuito da AWS, conta gratuita do Azure e recursos gratuitos do Google Cloud, consultadas em outubro de 2026.

Kubernetes gerenciado: a taxa do plano de controle

Amazon EKSAzure AKSGoogle GKE
Taxa por clusterUS$ 0,10/h (suporte padrão)Nível Free sem taxa e sem SLA; Standard e Premium cobrados por horaUS$ 0,10/h
Desconto ou franquiaNão háNível Free indicado só para até 10 nósCrédito de US$ 74,40/mês, igual a um cluster zonal ou Autopilot
Versão antiga (suporte estendido)US$ 0,60/h no totalPremium inclui suporte de longo prazoUS$ 0,50/h a mais

Fontes: páginas de preço do EKS, AKS e GKE, outubro de 2026. Os conceitos e um teste local estão no guia de Kubernetes.

Sair do provedor: o custo que ninguém calcula no começo

Os três cobram pelo tráfego que sai da nuvem para a internet, e esse valor pode ser alto quando você precisa levar terabytes para outro lugar. A AWS informa que todos os clientes têm 100 GB por mês de transferência gratuita para a internet. Para quem vai sair de vez, a AWS oferece créditos para o tráfego da migração, mediante pedido ao suporte: o programa foi anunciado em março de 2024 e, segundo a atualização da página, desde setembro de 2025 não exige mais volume mínimo mensal, com 180 dias para concluir a mudança fora da União Europeia.

O Google Cloud mantém um formulário próprio de pedido de transferência gratuita para quem deixa a plataforma ("Google Cloud Exit"). Em qualquer caso, as regras mudam, então confira a página do provedor antes de planejar uma migração. Reduzir a dependência desde o início ajuda: containers, infraestrutura descrita como código e dados exportáveis em formatos abertos.

Ecossistema e equipe

Além de preço e região, a escolha costuma seguir o que a empresa já tem:

  • Já usa Microsoft 365 e contas corporativas da Microsoft: o Azure integra a identidade (Microsoft Entra ID) sem outro diretório. Veja também Google Workspace ou Microsoft 365.
  • Trabalha pesado com análise de dados: o BigQuery, do Google Cloud, é serverless e cobrado por dados processados ou capacidade reservada, o que muda a conta em relação a um data warehouse com servidores fixos.
  • Quer o maior número de profissionais disponíveis e de exemplos prontos: a AWS tem o catálogo mais antigo dos três, o que se reflete em documentação e conteúdo da comunidade.
  • Vai contratar ou treinar equipe: os três têm certificações de entrada, como AWS Certified Cloud Practitioner, Microsoft Azure Fundamentals (AZ-900) e Google Cloud Digital Leader.

Roteiro de prova de conceito em cinco passos

  1. Escolha um cenário real e pequeno, como a aplicação web principal com banco de dados e armazenamento de arquivos.
  2. Estime o custo mensal nas três calculadoras oficiais, com a mesma região (São Paulo), o mesmo tamanho de máquina e o mesmo volume de tráfego de saída.
  3. Suba o cenário com créditos de teste, criando antes um alerta de orçamento, como mostramos em como reduzir custos na nuvem.
  4. Meça o que importa para você: tempo até o primeiro deploy, latência para seus usuários, facilidade de configurar permissões e clareza da fatura.
  5. Registre a decisão e os motivos numa tabela com pesos, para revisar quando o cenário mudar.

Perguntas frequentes

Usar a região de São Paulo resolve a LGPD?

Ajuda, mas não resolve sozinho. A LGPD permite transferência internacional com base legal, e a Resolução CD/ANPD nº 19/2024 definiu as cláusulas-padrão contratuais. O ponto prático é mapear quais serviços replicam ou processam dados fora da região escolhida, como backups entre regiões e serviços globais. O básico da lei está em o que é a LGPD.

Vale a pena usar duas nuvens ao mesmo tempo?

Para a maioria das empresas pequenas e médias, não no começo. Multinuvem duplica o trabalho com permissões, rede, monitoramento e faturas. Costuma fazer sentido quando há um serviço específico que só um provedor oferece bem ou uma exigência contratual de redundância entre fornecedores.

Por que a mesma máquina custa mais em São Paulo?

Os provedores não detalham a composição do preço por região. O que se pode verificar é o resultado: no exemplo de outubro de 2026, a mesma VM pequena custava cerca de 62% a mais em São Paulo do que na Virgínia, tanto na AWS quanto no Azure. Compare sempre na calculadora oficial antes de escolher a região.

Para projetos pequenos, compensa uma das três grandes?

Depende do que o projeto precisa. Um site ou uma API simples cabe num VPS com preço fixo, sem a complexidade de permissões e cobrança por uso das grandes nuvens. A comparação está em VPS, hospedagem compartilhada e nuvem.

Fontes